Roma

O meu travel bug só muito recentemente se “despoletou”. Antes vivia apegada à ideia de não gastar muito dinheiro, com receio do que poderia ser o futuro. As crises económicas têm esse condão. Mas, tomando coragem (vá, não foi preciso assim tanta), lá me pus a caminho com a minha compincha já habitual destas coisas, a Débora Correia.

Primeira paragem, Roma.
Chegámos com a ânsia de beber História. E ela está por todo o lado. A cada passo que se dá, tropeçamos (às vezes quase literalmente) em pedaços da Roma Antiga. Essa, é sem dúvida, a melhor parte de Roma.

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Tropeçando em arqueologia , em cada canto de Roma.

Engane-se quem pense que os italianos (ao menos os de Roma) são simpáticos. Não são. Claro que nestas coisas nunca se pode, nem deve generalizar. Até porque a senhora em cuja casa ficámos foi extraordinariamente simpática, não obstante ser um poço de nervos que mal conseguia abrir um saquinho de bolachas. Mas lá nos deu um abraço antes de virmos embora e disse que tinha gostado muito de nos ter tido lá em casa.

Mas, voltando à vaca fria (que raio é a “vaca fria”, anyway?…), Roma não é o sítio, a nível humano, mais acolhedor. Creio eu tal se deverá aos locais estarem positivamente fartos de turistas. Porque a seguir a pedaços de História, aquilo em que mais se tropeça em Roma são turistas que conseguem ser, como sabemos, intragáveis. Mas nós não. Somos um espetáculo. Fomos bem educadinhas, sorrimos a todos – quase todos… excluem-se as turistas portuguesas tão mas tão ávidas de tirar selfies na Fonte de Trevi que insistiam em ficar nas nossas próprias fotografias ou, quem sabe, de nos atirarem pra dentro da Fonte. Turistas portugueses, comportem-se. Please. E, acima de tudo, por onde passámos, deixem tudo LIMPO. Não façam na terra dos outros o que não querem que façam na vossa.

Do que nos fez mais espécie foi a grande dificuldade em encontrar um restaurante em que os funcionários fossem italianos. Na esmagadora maioria, eram de outras nacionalidades, o que não é mau, se ao menos soubessem cozinhar comida italiana. Mas não sabem. Comemos uns raviolis ranhosos e uma pizza de bradar aos céus até decidirmos focar-nos mesmo nas recomendações que circulavam na net para não darmos mais nenhuma calinada. Aí sim, comemos umas coisas bem jeitosas. Ah e comi uns cannolis. Fiquei triste. Espero que os cannolis d’O Padrinho tenham sido bem melhores. Ou os do Buddy Valastro. Porque isto de comer um cannoli enorme e ainda receber um recado escrito do empregado de mesa a avisar “oh fulana, deixa lá gorjeta que tens cara de portuguesa que sai porta fora sem mais nada” (pronto, exagerei um bocadinho, mas juro que a intenção dele era essa), não está com nada… Atónita, lá deixei a dita pró moço tomar um cafézito (dava pra bem mais do que isso, no worries), à boa maneira tuga.

Coisas lindas que vimos em Roma, sem detalhar muito, porque o que importa é irem mesmo lá, em primeiro lugar, o Coliseu. Nada complicado para entrar, ao menos na época em que lá fomos. E a mim, obcecada por essa época da História que sou, entrar ali foi totalmente emocionante. As minhas rótulas queixaram-se profusamente daquelas escadas (não sei se as artroses eram um problema na Roma Antiga, mas a julgar pela inclinação impiedosa das escadarias, calculo que fosse) mas quando cheguei ao nível intermédio (aquele onde costumavam estar as Vestais, não que eu me julgue, remotamente, uma), o meu coração sentiu uma felicidade imensa. Acho que se vê pelo ar babado com que fiquei nas fotografias. E trouxe, para a minha coleção, um bocadinho de terra. Ou seja, tenho comigo, em minha casa, um pouco do Coliseu.

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O Monumento a Vítor Emmanuel. Pensava eu que era uma marca de camisas, mas não, foi mesmo uma figura importante que uniu os territórios itálicos num único país, merecendo o magnífico monumento que a ele foi erigido.

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A Boca da Verdade. Aí sim, esperámos na fila para tirar o típico retrato com a mãozinha na boca daquela que se desconfia que foi, outrora, uma tampa de esgoto. As figuras a que uma pessoa se presta. Não obstante, lá enfiei a mão e a fulana nem me disse A nem B. Para boca, não fala muito. O que, muitas vezes, é bem melhor.

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A Fonte de Trevi. O inferno para chegar, sequer, lá perto. Uma amálgama de gente e de selfie sticks ameaçadores de entrar num qualquer olho imprevidente que quase não deixam apreciar a tremenda beleza daquele local. É verdadeiramente etéreo e, se despojado de pessoas, um sítio pacífico – estou a ser muito anti-social?…

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A Piazza Navona. Fomos lá à noite. A minha curiosidade prendia-se com o sítio onde o Ewan McGregor tinha mandado afundar um Bispo no Anjos e Demónios. É uma praça lindíssima mas infelizmente não apanhei o Tom Hanks em lado nenhum. Muito menos o McGregor. Não obstante, sempre comi um gelado. Não trouxe o Ewan McGregor, mas trouxe mais 250 gramas no traseiro.

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Piazza Navona

A Praça de Espanha. Confesso que fiquei um pouco confusa porque pouco consegui ver os degraus, dada a quantidade de gente que lá estava. Devem ser bem bonitos, eu é que não consegui perceber se eram. E não. Nem Armie Hammer e muito menos Henry Cavill à vista. Bummer.

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Degraus da Praça de Espanha

O Vaticano. Dizer que é um inferno para entrar na Basílica de São Pedro, se calhar, é uma piadola de mau gosto, mas foi mesmo isso. Os níveis de segurança são elevadíssimos e estivemos paradas cerca de 20 minutos nos scans da segurança porque uma pessoa tinha uma arma perigosíssima dentro da mala, ou seja, um porta-chaves da Torre Eiffel. Mas lá dentro, oh my God. Mesmo que não propriamente religiosa, sou grande apreciadora de arte sacra. Ver a Pietá de perto foi um sonho concretizado. Fiquei mesmo um pouco starstruck e com a lagrimazinha no canto do olho. A Basílica, em si, é extraordinária. Se bem que quem lá anda a ver, devia ter mais respeito. Pequenos não controlados pelos seus pais à corrida e aos berros naquele lugar não foi, de modo algum, aquilo que mais me aprouve. A Praça de São Pedro é lindíssima e convida a fotografias magníficas.

Pietá

Os Museus do Vaticano. Um portento de cultura. Nem há palavras que representem a riqueza cultural que aquelas paredes encerram. A Capela Sistina é muito bonita. Mas eu gostava de a ter apreciado sem a quantidade escandalosa de gente que lá estava dentro e os seguranças sempre a empurrar-nos para fora. Os Museus do Vaticano…só visto mesmo. Mas certifiquem-se que comprem os bilhetes pela net. É porque chegar lá, ter uma fila de mais de duas horas à nossa frente e ser constantemente assaltada pelas ofertas de tours de qualidade altamente duvidosa foi um começo de manhã bastante traumatizante. Pela net e com acompanhamento profissional paga-se um pouco mais, mas vale definitivamente a pena. E guardem um dia inteiro para o Vaticano.

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Museus do Vaticano

O Fórum Romano e o Palatino. Respira-se História. A mim só me apeteceu sentar-me no chão e
inspirá-la mesmo. Fomos das últimas a entrar, às 3 e pico da tarde. Depois disso, não deixam ninguém sequer comprar bilhete. O Fórum Romano, com o Templo de Castor e Pollux, o Templo de Antonina e Faustino, a Régia, entre tantos outros, fazem daquele local uma jóia histórica imperdível de visitar. Mas já sabem que, às 5 da tarde, eles começam lá a tocar uma corneta para pôr o pessoal todo para a rua. Nem mais um minuto, ou então os seguranças, esse flagelo italiano de cassetete, vêm atrás de nós e praticamente nos empurram para fora.

Fórum Romano

O Circo Máximo. Bem, lá íamos nós cheias de força, cheguámos ao Circo Máximo, qual descendentes do Ben-Hur, sem quadriga, e aquilo não tem…nada. É como dizia o Próximo no Gladiador…sombras e pó. Sim, porque já era quase de noite, aquilo é uma poaceira tesa e ainda hoje associo aquele espaço às tremendamente dolorosas bolhas de água que, ao fim do primeiro dia, já tinha nos meus ricos pés. Not a good memory.

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O Palatino visto do Circo Máximo.

As Galerias Borghese. Tecnicamente, os Jardins das Galerias Borghese, porque tentámos comprar bilhetes na hora e não sabíamos que aquilo estava esgotado há meses. Turistas amadoras… Logo, vimos as Galerias de fora e os Jardins são, na verdade, belíssimos, com diversos museus, alguns deles com entrada gratuita, que vale a pena visitar.

Jardins das Galerias Borghese e eu, frustradíssima.

O Panteão. Vimo-lo de fora. É grande. Não posso dizer muito mais porque não é uma estrutura bonita por fora. Por dentro já vi, por fotografias alheias, que sim. Mas…não conseguimos entrar (note to self – compra o raio dos bilhetes das coisas que queres ver com a devida antecedência, pela net). Ainda estivemos na Ilha Tiberina que é interessante, à falta de melhor palavra. O Castel Sant’Angelo também é bonito mas, como estávamos limitadas de tempo, optámos por não entrar.

Castel Sant´Angelo

E…para pregar uma partida à Débora, levei-a a ver o Convento dos Frades Capuchinhos, onde há uma Capela dos Ossos. Eu gosto dessas coisas, mas creio que a Débora me vai amaldiçoar até ao fim dos tempos… Não tenho registo fotográfico porque é proibido. Talk to me in private cof cof.

Ah, e esqueci-me de um verdadeiro portento. A pizza de alcaparras e anchovas que lá comi. Merecia uma Coluna de Trajano só pra ela. Uma Coluna de Pizza. Ah, e, já agora, a Coluna de Trajano é bem bonita. Apesar de que, quando lá cheguei, pensei que era pequena demais para ter aquela fama toda. A Débora bem teimou comigo que aquilo que era mesmo a dita. E tinha razão. Claramente quem a construiu não tinha paranóias freudianas com tamanho. E ainda bem para a pessoa. Achei piada foi à cordazita que estava como que a segurar aquela pedraria toda. Just in case de lhe pegar o vento. (It’s a joke, OK?…)

A Coluna de Trajano
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E…La Pizza.

Resumindo… Roma é lindíssima e vale mesmo muito a pena visitar. Se voltaria lá…em alguma ocasião especial talvez. Não é um destino que saia em conta. É dispendioso. Mas já posso ficar descansada porque pisei as pedras do Coliseu. E ao menos comi pizza em Itália, não na Pizza Hut.

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