Dos fins.

Este blog nasceu da minha vontade de comunicar. Só que essa vontade de comunicar muitas vezes se viu cerceada pelas opiniões de terceiros (que eu erradamente valorizava) ou pela minha própria incapacidade de colocar essas vontades alheias num espetro de desimportância. Gosto de pensar em mim como uma pessoa reta e com qualidades, ainda que reconheça as minhas fragilidades e as admita, fazendo o possível para as mitigar. À medida que o tempo passa, apercebo-me que essa imagem em nada corresponde ao que algumas pessoas pensam. Que, se em muitos casos, sei que confiam na minha imensa capacidade de trabalho, na liderança equilibrada e justa que gosto de trazer aos projetos a que me dedico, na minha organização mental que me permite analisar situações de forma isenta e equilibrada, em outros (espero eu que em número muito menos significativo), essas minhas capacidades não são de reconhecer, não são de valorizar ou, mesmo, na consideração dessas pessoas, são mesmo inexistentes.

Nos casos em que houve reconhecimento daqueles meus “atributos”, houve pouca repercussão positiva do mesmo. Nunca o vi concretizado em nada que fosse visível. Era amiúde a pessoa que trabalhava muito, extremamente útil para ter em funções onde ficava com o trabalho mais tedioso (porque o fazia sem me queixar – era trabalho para ser feito, nada mais), mas a valorização palpável desse trabalho, nunca o vi. Palmadinhas nas costas, tive-as. E muitas.

Até que ponto se deve esperar mais dedicação de quem trabalha quando aqueles que desconsideram as suas capacidades vencem sempre cada querela que é tecnicamente inexistente mas que sempre está presente, ainda que de forma subreptícia? Será que se espera mesmo que não haja um fim, um ponto final na paciência para aturar faltas de respeito e desconsiderações contínuas?

A única conclusão a que chego é que é de facto mais “produtivo” ser-se incorreto. A maledicência, a maldade,a vingança, a atitude traiçoeira e mesquinha, são todas tão mais atrativas mas vê-se que trazem, a quem as adota, benefícios mais frequentes do que a quem as repudia. Quando alguém se aproxima de mim e me diz “só o que não presta é que vence sempre”, apercebo-me que longe vai o tempo em que discordava. Hoje, aproximando-me dos meus 40 anos, e depois de me ter cruzado com uma diversidade muito grande de pessoas, vejo que aquela afirmação é recorrentemente correta.

Mas, se é assim, eu prefiro perder, nessa aceção. Nunca serei uma pessoa incorreta e mesquinha, recuso-me a ser traiçoeira. Em alguns círculos, para um ou outro, hipoteticamente nunca merecerei ser ninguém. Mas, para mim, e para quem me (re)conhece, sou mais do que essas míseras considerações. Sou gente. Sou Eu. Incómoda para quem diz que não tenho as capacidades que sei que tenho e muito mais que aquilo que essas bocas gostariam de fazer de mim. Nunca farei do meu tempo o maquinar vidas.

Os homens têm medo das mulheres que não têm medo deles. Na minha garganta pé algum voltará a estar. Livre, sim. Mas, agora, nos meus próprios termos.

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